“Quando ouvir esta batida
Foi Mangueira que chegou
A Escola que dá diploma ao sambista
A Escola que envaidece o artista”
Os versos acima, de Zé Ramos, resumem parte importante da identidade mangueirense. A maior escola de samba do planeta se orgulha, com vaidade, de ter uma forma única de tocar seus sambas (sem o surdo de resposta), algo que todo mundo “conhece ao longe”.
Fundada em 28 de abril de 1928, a Estação Primeira de Mangueira ganhou esse nome por estar junto à estação de trem seguinte à Central do Brasil. Localizado, portanto, próximo ao centro da cidade, o Morro de Mangueira era local de moradia de muitos trabalhadores ex-escravos, que mantinham por ali manifestações culturais típicas das culturas da diáspora africana.
O surgimento da escola é fruto da junção de vários blocos e manifestações carnavalescas que já existiam no Morro, sendo o Bloco dos Arengueiros o principal, do qual participavam alguns dos fundadores da escola, como Carlos Cachaça.
Ao longo de sua história, a verde-e-rosa se tornou uma instituição cultural das mais importantes do país, com grandes carnavais, uma Ala de Compositores de primeiríssima qualidade e ações de vanguarda, como a criação da Vila Olímpica da Mangueira. Vale registrar que a primeira Ala de Compositores foi criada na escola, em 20 de janeiro de 1939 (clique aqui para acessar uma playlist com sambas de terreiro e sambas-enredo da escola).
É essa ala que aglutinou nomes como Nelson Sargento, Cartola, Nelson Cavaquinho, Zé Ramos, Jorge Zagaia, Preto Rico, Jurandir, Padeirinho, Leci Brandão, Xangô da Mangueira, Hélio Turco e Carlos Cachaça, além de aproximar outros nomes para a escola, como Wilson Baptista, Geraldo Pereira, Chico Buarque, Alcione e Beth Carvalho.
Outros baluartes da escola também marcaram época, como Dona Neuma e Dona Zica, Jamelão, que foi o intérprete da escola por 57 anos, Mussum e Delegado.
Detentora de 20 títulos do carnaval, a escola foi fundamental para a fundação e consolidação de várias agremiações, como o Acadêmicos do Salgueiro. Em muitas carnavais, a Mangueira homenageou nomes da cultura brasileira, como Braguinha (1984), Chiquinha Gonzaga (1985), Dorival Caymmi (1986), Carlos Drummond de Andrade (1987), Tom Jobim (1992), Os Doces Bárbaros (1994), Chico Buarque (1998), Nelson Cavaquinho (2011), Maria Bethânia (2016), Cartola, Jamelão e Delegado (2022) e Alcione (2024).
Nos últimos anos, a escola passou por importantes mudanças. Assim como outras escolas tradicionais, a verde-e-rosa teve que se adaptar aos novos tempos. Em meados de 2015, o cenário era desanimador. Vinda de alguns desfiles ruins, ficando fora do Desfile das Campeãs seguidamente, cheia de dívidas, a Mangueira estava desacreditada.
De lá para cá, o cenário mudou muito. Com 2 campeonatos nesse período (2016 e 2019), a Mangueira voltou a ser protagonista: com o carnavalesco Leandro Vieira, a escola aliou uma excelente estética com ótimos sambas e um discurso político potente. Juntou tradição e ousadia. Dessa forma, a escola conseguiu equilibrar bem a sensível balança entre a necessidade de se manter atual e a demanda por se manter firme em suas raízes. Após a saída de Leandro, a escola tem procurado seguir a trajetória de enredos com densidade cultural e potência política.
Jovem e experiente, a Mangueira é peça fundamental para a cultura brasileira.
