Portela

A Portela está no panteão das grandes instituições culturais desse país. É uma agremiação que foi fundamental para consolidar o desfile das escolas de samba como entendemos hoje, tendo sido vanguarda cultural, estética e política nesse processo. É a escola de nomes como Paulo da Portela, Argemiro, Jair do Cavaquinho, Paulinho da Viola, Candeia, Monarco, Alcides Malandro Histórico, Mijinha, Tia Surica, Tia Doca, Dona Esther, Dagmar do Surdo, Antônio Caetano, Chico Santana, Zé Ketti, Clara Nunes, Manacéa, Casquinha, Alberto Lonato, Noca da Portela, Zeca Pagodinho, Waldir 59, Antônio Rufino e tantos outros sambistas fundamentais para a cultura brasileira.  Com 22 títulos, a Portela é a maior campeã do carnaval do Rio de Janeiro.

Fundada em 11 de abril de 1923, a Majestade do Samba teve outros nomes antes da consolidação como Portela, em 1935. No princípio, ainda como bloco carnavalesco, o Conjunto Oswaldo Cruz, depois, já como escola de samba, com os nomes de Quem Nos Faz É O Capricho e Vai Como Pode. Ainda assim, é importante registrar que antes de 1935 os sambistas daquela região já eram nomeados em jornais como “sambistas do Portela”, devido a localização da sede do grupo na Estrada do Portela.

Nos anos 1930, a Portela foi fundamental para consolidar a ideia de que o samba a ser cantado durante o desfile precisava estar em consonância com as fantasias e carros alegóricos apresentados. Um dos marcos para isso foi o desfile de 1939, “Teste Ao Samba”, com a escola apresentando fantasias e alegorias com o tema da educação.  

Com essa junção entre pioneirismo, grande capacidade de articulação e ainda um grupo de notáveis compositores, não é de se estranhar que a azul-e-branco tenha logo conquistado muitos títulos. No intervalo entre 1935 e 1960, a escola ganhou o carnaval por 15 vezes, chegando a um heptacampeonato nos anos 1940, algo exclusivo dela até os dias de hoje. 

Nas décadas seguintes, a escola viu sua concorrência aumentar, com a entrada em cena na disputa por título de outras escolas. Se nesses primeiros 25 anos a escola conseguiu 15 títulos, posteriormente foram “apenas” 7. 

Depois de muitos anos de um jejum incômodo, a Portela voltou a ser campeã em 2017. De lá para cá, desfilou como favorita em muitas ocasiões, ainda que tenha sofrido um grande baque em 2023, ano de seu centenário, quando um trágico desfile quase terminou em rebaixamento. 

Mas falar dos títulos é pouco perto do tamanho da Portela. A escola tem uma história centenária enquanto uma instituição fundamental para sua comunidade, com sua quadra sendo espaço de diversas atividades o ano todo, irradiando uma série de outras ações e eventos pelo bairro de Madureira. Uma escola que desfila porque existe. 

Em 2026, a escola vai desfilar com o enredo “O Mistério do Príncipe do Bará – A Oração do Negrinho e a Ressurreição de Sua Coroa Sob o Céu Aberto do Rio Grande”, mostrando uma perspectiva pouco conhecida do Rio Grande do Sul.