Fundada em 1961, no dia 25 de outubro, a São Clemente é uma escola tradicional da Zona Sul, especialmente do bairro de Botafogo e do Morro Santa Marta. Assim como outras agremiações, ela foi criada a partir de um time de futebol (que tinha suas cores inspiradas no Peñarol, do Uruguai) que primeiro originou um bloco de carnaval e depois transformou-se em escola de samba.
Ainda que hoje isso esteja um tanto distante, é importante registrar que, na época da fundação da São Clemente, Botafogo era um bairro muito ligado ao samba, com vários blocos e agremiações carnavalescas. Uma grande geração de sambistas morava na região, como Paulinho da Viola, Mical, Walter Alfaiate, Mauro Duarte e Zorba Devagar.
Nos anos 1980, a escola ganhou destaque com seus enredos críticos e politizados, chegando a ficar conhecida como a “PT do samba”. Naquele momento, isso era o equivalente a dizer que a escola priorizava uma crítica à situação social do país, mesmo que isso lhe custasse a chance de título, patrocínios (que começavam a surgir com força) e até a própria permanência no Grupo Especial.
E os enredos daquele período eram quase que como setoriais de um partido. Entre 1985 e 1989, a escola falou sobre moradia, saúde, infância, lutas sociais e imperialismo. E foi em 1990 que a escola conquistou sua melhor colocação da história, arrancando um 6º lugar com “E o Samba Sambou…“, que fez uma crítica ao processo de mercantilização dos desfiles.
Esses sambas impressionam pela potência de suas críticas. A escola falou de temas que ainda nem eram considerados direitos sociais. O samba de 1987, por exemplo, é incrivelmente antenado com a luta contra a redução da maioridade penal antes mesmo do surgimento do ECA.
Após esse período de críticas, a escola seguiu o tom geral do carnaval, com desfiles mais “técnicos”. A agremiação também sofreu com a especulação imobiliária, restando a ela se mudar para uma quadra na Cidade Nova, no centro da cidade, longe do seu local de fundação.
Entre 2011 e 2022, a escola viveu sua melhor fase, no seu maior período sequencial de permanência no Grupo Especial. Nessa fase, os destaques foram os desfiles de 2015, em homenagem a Fernando Pamplona, 2019, com a reedição de “O Samba Sambou…” e 2020, com “O Conto do Vigário”.
Com o rebaixamento em 2022, a escola entrou num novo período de dificuldades: não fez bons desfiles na Série Ouro e, em 2025, acabou sendo novamente rebaixada, dessa vez para a Série Prata. Para 2026, o enredo é “Na Tamarineira, é Pagode, é Carioca, é São Clemente”.
