Fundada a partir de uma dissidência da mais tradicional escola de samba carioca, a Portela, a Tradição nasceu em 01º/10/1984. O clima na Águia não andava muito bom, com sucessivas brigas internas.
Foi então que, nos preparativos para o carnaval portelense de 1985, uma briga por conta do controle de algumas alas foi a gota d’água para que um grupo liderado por Nézio Nascimento (filho do lendário Natal da Portela) criasse a Tradição. A agremiação recém-fundada pretendia superar a Portela e para isso propôs uma série de mudanças na sua forma de organização, com uma comissão de carnaval e a encomenda de sambas-enredo.
Neste primeiro momento, a escola de fato se mostrou algo novo e com isso agregou um time de peso, que incluía Vilma Nascimento, João Nogueira e Paulo César Pinheiro. Ela passou a contar com grandes sambas-enredo, um time de peso na parte plástica (com Lícia Lacerda, Rosa Magalhães e Maria Augusta) e foi enfileirando vitórias nos grupos de acesso até chegar ao Grupo Especial em 1988.
O clima tenso com a Portela foi uma marca desses anos iniciais. A escola de Madureira, por exemplo, impediu na justiça que a nova agremiação usasse o nome Portela Tradição. Já em 1987, com o enredo “Sonhos de Natal”, a Tradição desfilou homenageando um baluarte portelense e, ironicamente, pedia licença à “querida Portela”.
O auge da escola aconteceu em 1994, quando conquistou o 6º lugar. Depois disso, a escola começou a alternar-se entre o Grupo Especial e os grupos de acesso. Repetindo práticas que outrora criticara, a Tradição foi perdendo espaço e componentes. Um símbolo disso foi o reencontro de João Nogueira com a Portela em meados dos anos 1990.
A escola foi caindo pelas tabelas até que em 2015 chegou na Intendente Magalhães. Por lá, entrou em colisão com a direção da LIESB e acabou por fundar a LIVRES, uma liga paralela, que não foi reconhecida como apta a indicar sua escola campeã para subir para a Sapucaí. De 2020 a 2023, a Tradição tentou sustentar a LIVRES; ao ver que não seria possível, a escola voltou para a Série Prata (agora na recém-criada Superliga Carnavalesca) e lá conquistou o acesso em 2024, voltando a desfilar na Sapucaí em 2025. A empolgação com o retorno ao grande palco do carnaval não foi suficiente para segurar a escola e ela foi novamente rebaixada.
Para 2026, de volta à Série Prata, o enredo será “A Menina do Sertão que Virou Estrela de TV”, homenagem a Gardenia Cavalcanti.
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