Texto escrito em 02 de junho de 2020, aos 90 anos do nascimento de Mauro Duarte:
“Há 90 anos, no dia 02 de junho de 1930, nascia o sambista Mauro Duarte. Excelente melodista, foi parceiro de Elton Medeiros, João Nogueira, Paulinho da Viola, Walter Alfaiate, Eduardo Gudin e Paulo César Pinheiro, entre outros. Mauro Bolacha, como era chamado pelos amigos, é um dos grandes nomes do samba carioca.
Mineiro, Mauro veio para o Rio de Janeiro e foi logo morar em Botafogo. Entrou para o mundo do samba a partir do contato com os blocos carnavalescos do bairro, ainda nos anos 1940. Ele é parte de uma geração de grandes sambistas que moravam por ali, como Paulinho da Viola, Mical, Walter Alfaiate e Zorba Devagar.
Sua carreira musical começou a deslanchar nos anos 1960, quando substituiu Paulinho da Viola no show Rosa de Ouro. Mesmo assim, só muito depois foi conseguir viver exclusivamente da música. Para comemorar cada melhoria que o dinheiro oriundo dos direitos autorais lhe dava, ele nomeava os eletrodomésticos e outros bens com o nome das suas músicas.
Uma das principais intérpretes das composições de Mauro Duarte foi Clara Nunes. Afinal de contas, ele compôs alguns de seus maiores sucessos: “Canto das Três Raças”, “Lama”, “Menino Deus” e “Portela Na Avenida”. Além de Clara, suas músicas também foram gravadas por outros grandes nomes da MPB, como Elza Soares, Elizeth Cardoso, Paulinho da Viola, João Nogueira e Alcione. Com Cristina Buarque, gravou um álbum em 1985.
Mauro Duarte tinha uma intensa relação com o carnaval. Em Botafogo, participou dos blocos Mocidade Alegre de Botafogo, Gaviões, Funil e Foliões de Botafogo. Compôs sambas para outros tantos, como Clube do Samba, Barbas e Simpatia É Quase Amor, além de compor sambas em homenagem a várias escolas de samba, como Imperatriz Leopoldinense, Império Serrano, Mocidade Independente, Salgueiro, Beija-Flor, Mangueira, Caprichosos de Pilares, União da Ilha do Governador, Vila Isabel e Portela.
Mauro faleceu em agosto de 1989, por conta de um câncer de fígado. Seu legado segue vivo nas suas composições e também através de suas filhas Eliane e Márcia, presença frequente em rodas de samba do Rio de Janeiro.”
