Por João Paulo Gondim
Dois de fevereiro é dia de Iemanjá. Em Salvador, a data é comemorada principalmente na praia do Rio Vermelho. E essa festa popular já foi exaltada no carnaval carioca.
Em 1976, a Unidos de Lucas apresentou na avenida “Mar baiano em noite de gala”. Esse desfile marcou a estreia do carnavalesco Max Lopes, que mais tarde se consagraria com duas vitórias na Mangueira (1984 e 2002) e outra na Imperatriz (1989).
Apesar da presença do futuro “mago das cores” – como o Max passou a ser conhecido a partir dos anos 80 – a escola desfilou mal, e em 12º lugar, acabou rebaixada para o segundo grupo. Foi a última vez que o Galo de Ouro apresentou-se no grupo principal.
O que restou de 1976 para a Unidos de Lucas foi o samba de enredo, até hoje aclamado em ensaios e esquentas. A melodiosa e épica obra de Carlão Elegante, Pedro Paulo e Joãozinho apresenta três refrões e desfia uma série de termos alusivos às religiões afro-brasileiras. Em 2005, no terceiro grupo, o samba foi reeditado, e a escola alcançou a 8ª posição.
Curiosamente, neste mesmo carnaval 1976, ano de uma safra saborosa de sambas, Iemanjá foi exaltada por outra escola: Império Serrano. O carnavalesco Fernando Pinto desenvolveu o enredo “A lenda das sereias, rainhas do mar”, em uma pegada mais ampla do que a da Unidos de Lucas. Se a escola da Leopoldina concentrou-se no festejo baiano de 2 de fevereiro, a agremiação da Serrinha preferiu abordar o mito que envolve a orixá. O Império Serrano foi o sétimo colocado.
Em 2009, o samba, de autoria do trio Vicente, Dionel e Arlindo, foi reeditado pela escola, que acabou amargando o 12º posto, acabando rebaixada.
Foto: Elke Maravilha no desfile da Unidos de Lucas em 1976, Revista Manchete
