Percepções sobre o novo sistema de som na Sapucaí

Uma das mudanças mais perceptíveis da Sapucaí para este carnaval foi a forma como o som passou a funcionar na avenida. O novo sistema de som, que agora é direto, sem um caminhão de som, significou uma mudança significativa para quem está nas arquibancadas, possibilitando que o som chegue com menor interferência.

Mas a retirada do carro de som não impacta apenas a experiência do público. Ela transforma, de maneira profunda, o desfile de quem está dentro da avenida. Para além da questão sonora, há ganhos concretos no cotidiano do desfile, como o fim do caminhão de som soltando fumaça diretamente sobre ritmistas e alas que vinham logo atrás, algo que sempre foi motivo de incômodo e desgaste.

O texto a seguir é o relato de um ritmista, escrito a partir da vivência em um ensaio técnico. Não é uma análise institucional nem definitiva, mas um olhar atento, crítico e apaixonado de quem sente o som no corpo, no andamento e no cansaço da avenida. Uma contribuição importante para entender como essa mudança é vivida por quem faz a Sapucaí acontecer.

“Existe um problema na estrutura do som no ensaio técnico que é a ausência de caixas no fundo dos recuos de bateria, fazendo com que parte dos membros das baterias, que estão na famosa cozinha (os fundos), acabam ficando a mercê de seu próprio canto e do andamento ditado pelos diretores.

MAS CALMA AÍ, nem tudo é desespero. Comecei falando desse problema pois esse é o caminho natural de todo ritmista ao sair do esquenta no setor 1/2/3, inclusive, gritem bastante aí nessa hora, a gente ama.

Saindo disso, uma coisa notável que mudou bastante foi a qualidade do som que se escuta de dentro da avenida. Obviamente, cantar o samba é importante para o ritmista ao fazer a curva, é natural, você sai de um espaço restrito e entra na imensidão da nossa amada Sapucaí. Entretanto, diferente dos últimos anos, quando entrar em contato com o som cantado pela escola era um desafio e demorava, nesse ano o delay é mínimo e o som chega de forma eficiente aos ritmistas, mais ajudando que atrapalhando.

VALE LEMBRAR: antigamente o ritmista lidava com o som da própria bateria, das caixas de retorno da avenida e dele, o saudoso carro de som. Em ressalva, foi possível notar que as faixas médias perdem em detrimento das faixas graves e agudas, algo que uma equalização azeitada no Dendê resolve.

Mas nem tudo é mil maravilhas. Existe, se é que podemos dizer assim, uma grande dissonância nos retornos a partir do Setor 10. A cada bloco de caixa que entra, o som se modifica e isso para o ritmista e diretores atrapalha muito, ainda mais num ponto tão crítico da avenida, já que é a hora que o cansaço bate, a escola talvez esteja necessitando dar aquela “corridinha” e AINDA precisa se apresentar para o último módulo de jurados. Ou seja, é realmente preocupante.

Vale lembrar que as notas aqui são de um mero ritmista que só teve a visão da avenida somente em um ensaio técnico. Pode ser que meus pares e colegas tenham outra visão.”