Com o enredo “Quem Tem Medo de Xica Manicongo?”, no carnaval de 2025 o Paraíso do Tuiuti apresentou para todos nós a trajetória desta que é considerada a primeira travesti do Brasil. Como tem sido frequente nos últimos anos, a agremiação de São Cristóvão fez de seu desfile um espaço de defesa de quem está na base da pirâmide social.
Na Comissão de Frente, eram várias pessoas trans que, depois de encenar a perseguição que Xica sofreu, apareciam com faixas com os nomes de suas profissões: dentistas, médicos, professores, engenheiros, etc. No final da apresentação, a deputada Erika Hilton aparecia com a faixa presidencial, dando o recado de que todo lugar é lugar de pessoas trans.
Há alguns dias atrás, pouco mais de 1 ano depois desse desfile, Erika foi escolhida como presidente da Comissão dos Direitos da Mulher da Câmara Federal. Mesmo sendo uma das deputadas federais mais combativas em defesa dos direitos sociais, tendo apresentado diversos projetos de lei com pautas importantes do feminismo, sua presença é questionada e não só pela extrema-direita.
A presença de Erika como presidente da Comissão deveria ser comemorada, não só pela representatividade e simbolismo de sua presença, mas também por ela ser uma voz atuante, estando na linha de frente contra o golpismo, por exemplo. Ela é um passo, como apontou o samba do Tuiuti, “pra enfrentar a chacina” e termos “consciência humana, no Brasil da terra plana”.
