São Jorge: dia de fé e festa

Vem aí mais um dia 23 de abril no Rio de Janeiro e com ele uma infinidade de celebrações e eventos. Feriado estadual desde 2008 (na capital, é feriado desde 2001) e dia do nascimento de Pixinguinha (como nos ensina a música de Moacyr Luz e Paulo César Pinheiro, ele “nasceu no Rio de Janeiro, dia do santo guerreiro”), a data é celebrada de forma intensa por essas bandas.

São Jorge é o padroeiro do estado do Rio de Janeiro mas a sua popularidade não vem daí. Santo Guerreiro, sincretizado nas macumbas cariocas com Ogum, ele é uma referência de luta e persistência, sendo padroeiro também de várias escolas de samba, da polícia, de grupos de traficantes e milicianos. A tradição afro-carioca tem a feijoada como uma oferenda ao orixá e por isso muitos lugares da cidade a oferecem gratuitamente, sempre acompanhada de samba, suor e cerveja.

Ao longo do dia, muitas missas são celebradas, especialmente nas igrejas de São Jorge do centro da cidade e de Quintino. Os rituais começam bem cedo e um dos pontos alto são as alvoradas com foguetório, às 05h00.

Além do dia de São Jorge, o 23 de abril é também o Dia Nacional do Choro, por conta do aniversário de Pixinguinha. Para marcar a data, é realizado o Trem do Choro (em 2026, teremos a 13ª edição), que vai da Central do Brasil até a estação Olaria. Os músicos se concentram na Central a partir das 10h00 e se dividem nos vagões da composição que parte às 11h18. Chegando em Olaria, eles vão em cortejo até o Reduto Pixinguinha, onde está localizado o Bar da Portuguesa, que conta com uma estátua do aniversariante do dia.

A Zona da Leopoldina (onde estão bairros como Ramos e Olaria) foi um local de moradia de vários mestres do choro e da música brasileira, de Villa Lobos a Zé da Velha, passando por Pixinguinha, Jacob do Bandolim e Joel Nascimento e por isso até hoje os chorões vão para lá prestar homenagens a este gênero musical.

Este também poderia ser o “Dia do Samba Sincopado”, visto que, em 1918, nasceu Geraldo Pereira, compositor e expoente maior desse estilo de samba. Autor de mais de 300 músicas, como “Sem Compromisso” (famosa na voz de Chico Buarque) e Falsa Baiana, Geraldo morreu cedo, aos 37 anos, e acaba sendo pouco lembrado.

Sendo católico e/ou macumbeiro, sambista e/ou chorão, dia 23 é dia de celebrar e agradecer!

Foto: Dia de S. Jorge, por Amanda Guarniere