Bloco do Eu Sozinho

O carnaval de 1919, o primeiro após a pandemia da Gripe Espanhola, tem vários fatos marcantes para a folia de momo no Rio de Janeiro e no Brasil. Entre esses acontecimentos, estão o primeiro desfile do Cordão da Bola Preta, o desfile de blocos organizados e protagonizados por mulheres (como as “Borboletas Negras”, as “Baianinhas Invejadas” e a “Orquestra das Senhoritas”) e… o surgimento do “Bloco do Eu Sozinho”. 

Muito antes de ser o nome de um álbum da banda Los Hermanos ou uma forma de designar o isolamento de algum setor político, o Bloco do Eu Sozinho foi uma manifestação carnavalesca das mais presentes na folia carioca. Entre 1919 e 1972, Julio Silva saiu pelas ruas do Rio de Janeiro durante os 4 melhores dias do ano todo fantasiado e com uma tabuleta escrita “Bloco do Eu Sozinho”. Ele nunca aceitou adesões e nem abraçava ninguém. Em 1925, há registro de que ele pediu autorização ao delegado Aluísio Neiva para desfilar. 

A manifestação carnavalesca solitária de Julio Silva continua existindo pelas ruas do RJ. Desde meados dos anos 2010, por exemplo, um folião carrega pelo centro da cidade uma placa pedindo que o Rei Momo engula a chave e não a devolva para o prefeito.