Tantinho da Mangueira

Texto escrito em 13 de abril de 2020, data do falecimento de Tantinho da Mangueira:

“Uma notícia triste para os sambistas: morreu neste domingo, aos 72 anos, Devani Ferreira, o Tantinho da Mangueira. Cantor, compositor, partideiro e baluarte mangueirense, ele estava internado há alguns dias por conta de um acidente doméstico. 

Tantinho começou a desfilar na escola quando tinha entre 5 e 6 anos, ainda nos anos 1950. Sua mãe era baiana e não tinha ninguém com quem pudesse deixar o filho durante o carnaval e então, para não deixar a ala, teve que levar o filho para a bateria da escola. Daí pra frente, Tantinho nunca mais deixou de sair na escola. 

Foi vizinho de Cartola e conviveu também com outros grandes nomes da Mangueira, como Delegado, Dona Neuma, Nelson Sargento, Dona Zica, Nelson Cavaquinho, Zagaia, entre outros. 

Tantinho se notabilizou pela improvisação no samba de partido alto e por sua capacidade de lembrar muitos sambas de terreiro que estavam esquecidos. Dessa memória surgiu o álbum “Tantinho, memória em verde e rosa” (2006), onde interpretou 32 sambas de compositores da verde-e-rosa. Em 2009, gravou sambas do compositor mangueirense Padeirinho em mais um álbum fundamental para o resgate da história do samba carioca. 

Nos últimos anos, participou das disputas para a escolha do samba-enredo da Estação Primeira, sem um samba seu escolhido em nenhuma ocasião. Mas um desses sambas foi gravado por Maria Bethânia no álbum que a cantora dedicou à Mangueira no ano passado.

Uma de suas últimas aparições públicas foi no projeto Conversamba, em outubro de 2019, quando foi entrevistado pelo historiador Luiz Antônio Simas. No bate-papo (disponível no Spotify e outras plataformas digitais), Tantinho contou sobre sua participação na escola e também contou histórias inesperadas, como o dia em que, ao aquecer os instrumentos da bateria da escola na Central do Brasil, os bombeiros tiveram que ser chamados.”