Silas de Oliveira

Nesta data, em 1916, nascia Silas de Oliveira. Na seara do samba-enredo, Silas é o “pai da matéria”. É autor, com parceiros ou sozinho, de alguns dos clássicos do gênero, como “Aquarela Brasileira”, “Cinco Bailes da História do Rio” e “Herois da Liberdade”. 

Apesar da resistência de seu pai, Silas frequentou rodas de sambas desde que era criança. Em 1947, participou da fundação do Império Serrano, dedicando-se por 28 anos à escola. O Reizinho de Madureira foi para a avenida com sambas-enredo de Silas de Oliveira em 14 desfiles, sendo que em 5 desses a escola se sagrou campeã.

Funcionário da biblioteca de uma escola municipal, Silas por várias vezes se utilizou dos livros que cuidava para poder compor os sambas enredo que a verde-e-branco de Madureira iria levar para a avenida. 

No livro “As Matriarcas da Avenida”, Luiz Antônio Simas apresenta uma bonita alegoria para falar da capacidade criativa de Silas de Oliveira. Segundo Simas, ele “criou o mundo do samba-enredo” em 6 anos, de 1964 a 1969, e depois teve que descansar. Nesses anos, o Império Serrano veio com uma impressionante sequência de sambas de Silas para a avenida: em 1964 com “Aquarela Brasileira”, em 1965 com “Cinco Bailes da História do Rio” (parceria com Dona Ivone Lara e Bacalhau), em 1966 com “Glórias e Graças da Bahia (parceria com Joacyr Santana), em 1967 com “São Paulo, Chapadão de Glórias” (parceria com Joacyr Santana), em 1968 com “Pernambuco, Leão do Norte” e em 1969 com “Herois da Liberdade” (parceria com Mano Décio da Viola e Manoel Ferreira). 

Além de sambas-enredo, Silas compôs “sambas de meio de ano” (como “Senhora Tentação”, que ficou conhecida na voz de Cartola e “Apoteose ao Samba”, em parceria com Mano Décio da Viola)  e sambas de quadra em homenagem ao Império Serrano (como “O Império Tocou Reunir”).

Silas morreu numa roda de samba, no bairro de Botafogo, após sofrer um infarto, cantando “Cinco Bailes da História do Rio”, em maio de 1972. Uma vida dedicada ao carnaval e ao samba, do começo ao fim.

04/10/2020