Unidos de Vila Isabel

“Foi num quatro de abril

Três dias depois da mentira

Que o poeta descobriu

Seu amor e sua lira

Com alguém se reuniu

Com ação de quem conspira

Mas fundou com devoção

A escola de samba da Vila”

Como está registrado nesse samba de Martinho da Vila, a Unidos de Vila Isabel foi fundada num dia 04 de abril, em 1946. A branca-e-azul nasceu a partir da articulação de Seu China, sambista que havia se mudado há pouco tempo para o Morro dos Macacos e achava que o bairro merecia uma escola de samba para representá-lo. 

Ainda que a referência a Noel Rosa seja muito presente na quadra e em muitos sambas da escola, o Poeta da Vila não chegou a fazer parte da agremiação, visto que morreu em 1936. Mas ele é parte importante da história musical e boêmia do bairro, uma fonte que a Unidos de Vila Isabel bebeu desde a sua fundação. Outro eixo fundador da escola foi o Vila Isabel F.C., muito ativo na época.  

Nos seus primeiros anos, a escola ficou em colocações intermediárias, chegando a desfilar no terceiro grupo. Em 1965, a escola foi vice-campeã do Grupo 2 e conquistou o acesso para a elite do carnaval. Mas outro fato foi mais importante para a Vila Isabel naquele ano: a chegada de Martinho José Ferreira na escola. 

Oriundo da Aprendizes da Boca do Mato, Martinho da Vila liderou diversas mudanças na Vila Isabel e no carnaval de forma geral. Ele, por exemplo, mudou a forma de compor samba-enredo à época, inspirando-se na forma com que já compunha seus outros sambas. Mais do que um compositor, Martinho passou a ser uma grande referência da escola, com papel decisivo na definição de vários enredos. Com seu sucesso enquanto compositor e cantor, levou o nome da escola e do bairro para o mundo. 

A chegada de Martinho mudou a prateleira da Vila Isabel, fazendo com que a escola passasse a ser mais respeitada e fosse reconhecida como uma das grandes escolas de samba cariocas. Mas faltava um título. 

Foi aí que veio o carnaval de 1988, um dos desfiles mais emblemáticos do carnaval carioca. Com o enredo “Kizomba, A Festa da Raça” a escola ganhou seu primeiro campeonato, emblemático não só pelo seu desfile, mas por todo o processo que envolveu a preparação do carnaval, momento em que a Vila se encontrava numa grave crise financeira.

Após esse grande título, a escola seguiu apresentando grandes carnavais, trazendo temáticas importantes, como os direitos humanos e a reforma agrária. No começo dos anos 2000, voltou a desfilar no Grupo de Acesso. Felizmente, foi uma passagem rápida, e em 2005 já estava desfilando de novo no Grupo Especial. No ano seguinte, a escola conquistou seu 2º título e, em 2013, foi novamente campeã, com um samba-enredo sempre lembrado como um dos melhores desse século, fruto de uma grande parceria com ícones do samba, como Arlindo Cruz, André Diniz e Martinho da Vila. 

Após o título, a escola teve altos e baixos, alternando boas e más colocações, bons enredos e outros nem tanto. Em 2022, a escola deu flores em vida para Martinho da Vila, numa bonita homenagem ao seu integrante mais conhecido. Depois de 3 anos com o carnavalesco Paulo Barros, para 2026 a escola apostou na dupla Leonardo Bora e Gabriel Haddad e vai fazer uma homenagem a Heitor dos Prazeres, com o enredo “”Macumbembê, Samborembá: Sonhei que Um Sambista Sonhou a África!”.