Unidos de Padre Miguel

Fundada em 12 de novembro de 1957 a partir do bloco de carnaval do mesmo nome, a Unidos de Padre Miguel é uma das grandes agremiações da Zona Oeste. Após alguns anos “batendo na trave”, a escola desfilou em 2025 no Grupo Especial, algo que não acontecia desde 1972. 

Nos anos 1950, dois blocos dividiam as atenções do carnaval na ZO: o “Mocidade do Independente” e o “Unidos de Padre Miguel”, que por suas cores, era também conhecido como “Boi Vermelho”. Em 1955, o “Mocidade” se transformou em escola de samba, movimento seguido pelo “Unidos” apenas 2 anos depois. 

O primeiro desfile da UPM foi no carnaval de 1959, quando a escola já se consagrou campeã do Grupo 2. Apresentando-se entre as principais escolas em 1960/61, a escola não conseguiu se firmar e foi rebaixada, voltando ao grupo de elite do carnaval apenas em mais 3 ocasiões: 1964, 1971/72.

Com o crescimento da Mocidade nos anos 1970, a UPM ficou em segundo plano nas atenções dos foliões do bairro, entrando num período em que na maioria das vezes não emplacou bons desfiles. Por conta disso, a escola chegou a desfilar na terceira divisão no final dos anos 1980 e em 1990 teve seu pior momento, quando não se apresentou.

Por conta da sua ausência, a escola teve que retornar ao “Grupo de Avaliação”, a 5ª divisão dos desfiles no Rio de Janeiro. Depois disso, a escola foi se reestruturando e pouco a pouco subindo de divisão, até que em 2010 chegou ao Grupo A.

O rebaixamento em 2010 não teve o mesmo efeito que outros reveses e a escola logo voltou ao Grupo A e a partir de 2014 começou a figurar entre as grandes do grupo.

Com ótimos enredos, estrutura financeira e grandes sambas, a UPM foi vice-campeã do Grupo A/Série Ouro em 5 ocasiões. E mesmo quando não ficou com o vice a escola quase “chegou lá”: em 2017, por exemplo, sua porta-bandeira quebrou a perna no desfile, ocasionando perda de notas (se tivesse gabaritado o quesito, a UPM teria conquistado o título).

Nesse período, a escola se destacou pelos enredos com temáticas culturalmente importantes, com destaque para “Ossain: O Poder da Cura” (2017), “Iroko – É Tempo de Xirê” (2022) e “O Redentor do Sertão” (2024).

E foi com “O Redentor do Sertão” que a UPM finalmente conquistou o título da Série Ouro, figurando novamente na elite do carnaval carioca em 2025. Infelizmente, o desfile não foi tão bem avaliado pelos jurados (mesmo sendo um sucesso perante o público, especialmente por conta do samba-enredo) e a escola foi rebaixada, voltando para a Série Ouro. Em 2026, seguirá com a mesma linha dos seus últimos enredos, com “Kunhã-Eté, o Sopro Sagrado da Jurema”.