A tecnologia dos blocos de rua: o exemplo do Cordão do Boitatá

O Cordão do Boitatá é um dos blocos mais importantes da geração de agremiações que se formaram a partir dos anos 1990. É uma referência em qualidade musical, nos arranjos e…em tecnologia. Tecnologia leve.

A orquestra de rua, que desfila no pré-carnaval, é formada por cerca de 150 músicos, entre sopros, percussionistas e ala de banjos, além de um ala de pernaltas, de baianas e os estandartes. Organizar tudo isso, em cortejo, envoltos por uma multidão, não é simples.

O que primeiro chama atenção é a forma de se comunicar do bloco. Para anunciar a próxima música a ser tocada, é levantado um caderno com o nome dela e outras informações. Quando é preciso mostrar qual parte da música é para seguir tocando, há um sinal para o refrão e outro quando é para voltar pelo início (a “cabeça” da música). No Cordão tem também muita solidariedade: o colega da frente carrega a partitura nas costas
para ajudar o colega logo atrás. As pastas com elas e a lista usada no cortejo são fruto de pesquisa desenvolvida no Boitatá, que passou por várias etapas.

Um dos grandes desafios é passar a mensagem entre os integrantes sobre qual é a próxima música a ser tocada. Além do caderno (para os sopros), é preciso ter uma equipe que faz a informação chegar na bateria (abordaremos detalhes dela em outro texto) e para o público, visto que a coisa só funciona se ele entender a mensagem e cantar junto. A integração entre estes dois grandes conjuntos de músicos, os sopros e a percussão, é uma das chaves da qualidade do bloco

E não é só na maneira de se comunicar que o Boitatá mostra sua técnica. O repertório, por exemplo, varia conforme o “clima do momento” e também pelo local. Nos últimos anos, o Boitatá começou na rua da Assembleia, que tem prédios altos, seguindo até ela virar a rua da Carioca, com edifícios menores. Na transição entre as duas ruas, uma abertura no cruzamento com a Av. Rio Branco. Em cada um desses trechos há condições acústicas diferentes e ideias de repertório distintas.

*Agradeço a Thiagô Queiroz e Kiko Horta pelas informações que possibilitaram esse
texto.

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