AeroFla e Grande Rio, Flamengo e Exu

Muitas imagens do AeroFla do dia 26/11/2025 são impressionantes, como essa que ilustra nosso post. Um evento que carregou todas as tensões dessa cidade real chamada Rio de Janeiro (e aproveito aqui para prestar solidariedade com a repórter Duda Dal Ponte e repudiar a agressão por ela sofrida) e nos lembrou, mais uma vez, a relação íntima entre povo e futebol, algo tão negado pelos gestores desse esporte nesse século.

A imagem do ônibus flamenguista mimetizado em uma caravela, deslizando entre a massa torcedora, com as bandeiras parecendo grandes velas, trouxe na memória, quase de imediato, o desfile da Acadêmicos do Grande Rio em 2022, com a alegoria do carnaval de Exu.

E essa associação não é gratuita. Há algo de profundamente semelhante entre o imaginário flamenguista e a energia de Exu — ambos se constroem na rua, no movimento, na massa, na vibração coletiva que desafia qualquer tentativa de controle.

A pulsação rítmica dos batuques, das bandeiras, dos cânticos, do suor, das cores — tudo isso constrói um “mar de gente, catarse, loucura”, como bem lembrou Leno Lopes em sua conta no twitter.

Além disso, ambos funcionam como portais simbólicos da experiência popular. São instâncias de identidade compartilhada, de celebração e desobediência, de afirmação apesar das tentativas constantes de disciplinamento.

Assim, quando o ônibus-caravela corta o mar humano do AeroFla, ele aciona o mesmo campo mítico que a Grande Rio colocou na Avenida em 2022. Não é apenas futebol. Não é apenas carnaval.