A edição do Correio da Manhã de 19/01/1920 mostra que o dia seguinte, data consagrada ao padroeiro da cidade, seria culturalmente agitado, com várias festas das agremiações carnavalescas do período. O dia de São Sebastião, padroeiro da cidade desde a fundação de “São Sebastião do Rio de Janeiro” em 1565, sempre foi uma data importante para os cariocas e nesse começo do século XX ganhou um tempero a mais.
A então capital do país vivia um momento de euforia, depois de momentos terríveis com a pandemia de gripe espanhola e uma guerra de proporções mundiais. Cada vez mais, o 20 de janeiro se transformava num dia de celebrações que iam muito além das questões religiosas. E assim várias agremiações carnavalescas passaram a aproveitar esta para promover cortejos, festas e bailes.
Há registros, por exemplo, de que o primeiro concurso entre escolas de samba tenha sido realizado no dia 20 de janeiro de 1928, no Engenho de Dentro. Promovido por Zé Espinguela, o concurso reuniu sambistas do Estácio, da Mangueira e de Oswaldo Cruz.
Posteriormente, com os desfiles das escolas de samba acontecendo durante o carnaval, o 20 de janeiro passou a ser um marco do pré-carnaval também para essas agremiações.
A importância da data também se verifica pela fundação de algumas agremiações, como os blocos Fala Meu Louro e Cacique de Ramos. Com o tempo, a tradição de eventos carnavalescos nesta data foi se perdendo. Atualmente, ainda que alguns eventos aconteçam na data, ela não é um marco tão importante para o carnaval que se anuncia. Seria possível retomar essa tradição?
