Como explicamos no texto com dicas mais estruturais, os próximos dois fins de semana serão de ensaios técnicos das escolas de samba do Grupo Especial na Sapucaí. Aqui falaremos sobre a programação, um pouco sobre os enredos e outros aspectos dos ensaios.
A programação será quase espelhada nos dois fins de semana. Nas sextas-feiras (30/01 e 06/02), os portões abrem às 19h e o ensaio começa às 21h, com Acadêmicos de Niteroi, Mocidade Independente de Padre Miguel, Estação Primeira de Mangueira e Unidos da Tijuca. Nos sábados (31/01 e 07/02), os portões abrem às 17h e o ensaio começa às 20h, com Unidos de Vila Isabel, Acadêmicos do Salgueiro, Paraíso do Tuiuti e Portela. Já aos domingos (01º/02 e 08/02), os portões abrem às 16h30 e o ensaio começa às 19h, com Unidos do Viradouro, Imperatriz Leopoldinense, Acadêmicos do Grande Rio e Beija-Flor de Nilópolis. Cada ensaio dura cerca de 1h30 (considerando esquenta, grito de guerra e o ensaio em si).
Em alguns dos dias, há também uma programação entre a abertura dos portões e o começo dos ensaios. No dia 31/01, tem desfile das escolas mirins às 18h; no dia 01º/02, as escolas mirins desfilam às 17h; no dia 07/02, tem a Lavagem da Sapucaí às 18h; e no dia 08/02 novamente temos as escolas mirins, a partir das 17h30.
ENREDOS
Estreando no Grupo Especial, a Acadêmicos de Niteroi tem a difícil tarefa de se manter no Grupo Especial. Para isso, apostou num enredo de grande apelo popular: a vida e a trajetória de Luis Inácio Lula da Silva. Com um time de peso na composição do samba-enredo (como Teresa Cristina, Lequinho, Paulo César Feital, Arlindinho e André Diniz), a escola vai contra a saga de Lula desde o nascimento em Pernambuco, a pobreza, mudança para SP e sua vida política.
Na sequência, vem a Mocidade Independente de Padre Miguel, com uma homenagem para a cantora e compositora Rita Lee. A escola aposta no campeoníssimo carnavalesco Renato Lage e tem um samba-enredo que promete “cair na boca do povo”, visto que tem diversos trechos de sucessos da cantora em sua letra (para muitos analistas, há até um recorta-e-cola excessivo). Depois de alguns anos com desfiles abaixo da média, a verde-e-branco da Zona Oeste busca voltar aos seus melhores momentos.
A terceira escola a ensaiar nas sextas será a Estação Primeira de Mangueira, com um enredo muito especial: Mestre Sacaca, renomado curandeiro, fitoterapeuta e líder comunitário amapaense, conhecido como “Doutor da Floresta. A agremiação mergulhará na cultura do Amapá e vai apresentar ao mundo uma Amazônia Negra, ainda pouco conhecida. Com maior estrutura, a expectativa da quase centenária verde-e-rosa é figurar entre as principais escolas, podendo até disputar o título.
No fechamento, será a vez da Unidos da Tijuca, com uma homenagem a escritora Carolina de Jesus, desenvolvida pelo carnavalesco Edson Pereira. A agremiação vai contar a trajetória da autora do renomado livro “Quarto de Despejo”, buscando também mostrar “aspectos positivos” da vida de Carolina e sua produção literária.
Aos sábados, a noite começa com a Unidos de Vila Isabel. Uma das favoritas ao título, a escola tem como enredo o pintor, compositor, ogã e agitador cultural Heitor dos Prazeres. Desde que a escola contratou os carnavalescos Leonardo Bora e Gabriel Haddad (de excelentes trabalhos na Acadêmicos do Grande Rio e na Acadêmicos do Cubango), a expectativa com a agremiação cresceu bastante. Com a escolha do enredo e posteriormente do samba (considerado um dos melhores do ano), essa expectativa só aumentou.
Posteriormente, será a vez do Acadêmicos do Salgueiro entrarem na avenida. No segundo ano do carnavalesco Jorge Silveira, a agremiação tijucana vai exaltar a vida e a obra de Rosa Magalhães, a professora. Ainda que muito conectada com a Imperatriz Leopoldinense por conta de carnavais marcantes dos anos 1990, Rosa iniciou sua trajetória (que durou 50 carnavais) no Salgueiro e isso será um dos pontos lembrados no desfile.
A terceira escola dos sábados de ensaio técnico será o Paraíso do Tuiuti. Depois de um desfile bastante aclamando em 2025, a agremiação de São Cristóvão promete novamente ter um desfile marcante, de novo sob o comando do carnavalesco Jack Vasconcelos. O enredo da escola é o Ifá, religião afro-cubana. O samba-enredo é um dos mais elogiados do ano (e tem, entre os autores, o professor e escritor Luiz Antônio Simas) e os ensaios de rua da escola tem sido muito concorridos, mostrando que a escola deve fazer novamente um bom papel na avenida.
Para fechar os sábados, teremos a Portela, a maior campeã do carnaval. Com uma nova diretoria e com o carnavalesco André Rodrigues (que assina um carnaval sozinho pela primeira vez na Águia Altaneira), a agremiação vai contar a história do Príncipe Custódio, responsável pela criação do Batuque, uma religião afro-gaúcha. Teremos a oportunidade de ver na avenida um Rio Grande do Sul pouco conhecido pelo resto do país. Sem chamar muita atenção, a escola “come pelas beiradas” para tentar seu 23º título.
No domingo, quem abre é a Unidos do Viradouro, que tem o Mestre Ciça como seu enredo. A escola de Niteroi ousou nessa escolha, visto que ela está fazendo uma homenagem em vida para um trabalhador do carnaval, algo inédito no Grupo Especial. A passagem da trajetória de Ciça pela avenida promete ser bastante emocionante. E ele vai ter jornada dupla, visto que ao mesmo tempo será enredo e diretor de bateria.
A segunda escola dos domingos de ensaios técnicos será a Imperatriz Leopoldinense, que nesse ano aposta num enredo em homenagem a Ney Matogrosso. Com o carnavalesco Leandro Vieira (que já foi campeão com enredo biográfico), a escola promete abordar a obra de Ney sem cair apenas de vida-e-obra. Os ensaios de rua em Ramos tem mostrado uma agremiação muito firme e forte para novamente disputar o título.
A penúltima escola será a Acadêmicos do Grande Rio, vice-campeã de 2025. Com um novo carnavalesco, Antônio Gonzaga, que estreia no Grupo Especial em trabalho solo, a escola busca manter a perspectiva de bons enredos que vem adotando desde 2020. Dessa vez, vai abordar o movimento mangue beat de Recife, que teve Chico Science como seu maior expoente.
Para fechar as noites de ensaio, teremos a Beija-Flor de Nilópolis, atual campeã. Agora sem Neguinho da Beija-Flor (que era a voz da escola desde 1976), a Deusa da Passarela escolheu falar sobre o Bembé, um candomblé de rua que acontece em Santo Amaro, na Bahia, no dia 13 de maio, desde 1889. Com a manutenção do carnavalesco João Vitor Araújo e um excelente samba, a escola vem firme para conquistar o bicampeonato.

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